Brasil - Transição - Nova República

 Brasil - Transição - Nova República


É tarefa para historiadores alinhavar as causas de haver tanta corrupção no Brasil desde muito cedo. O esbulho das terras indígenas, por si só, já foi um péssimo início.

Mas eu não sou historiador. Então, apenas continuarei com minhas elucubrações livres e soltas.

Nos anos 80 (1980 a 1989, a chamada década perdida), de 1980 até 1985 convivíamos com o último quartel da ditadura militar (não resisti a esse pútrido trocadilho...). Em 1980 as Olimpíadas de Moscou trocaram a presença americana com o fofíssimo Micha. O Brasil permaneceu sem o ouro olímpico no futebol enquanto regurgitava, ainda, o título mundial que a ditadura militar argentina praticamente adquiriu junto aos peruanos. É... Foram os 6 X 0 mais insossos do caldo albiceleste em 1978.

Enfim, a Pindorama sentia já os arrebatamentos que o longo processo infeccioso da peste verde oliva causara. O João, aquele que nos ameaçava com o carro a álcool ("Você ainda vai ter um") e dava pessoal garantia ao Agro ("Plante que o João garante"), percebeu que estava ficando mais e mais difícil manter as inquietudes democráticas sob siglas como DOI-CODI, CENIMAR, SNI, OBAN e outras... Alguns nomes também estavam se tornando, digamos, bastante odiados... Um certo Delegado de Polícia em São Paulo ganhou até lei em seu benefício para não ter o risco de ser preso. Formaram-se grupelhos que foram ficando muito mais à vontade do que certamente era a ideia original de seus gênios-criadores. Homens de Ouro da Guanabara, Esquadrão Le Cocq etc.

E os desafetos dos botões dourados, muitos com expressão internacional, continuavam agitando bandeiras fora do Brasil.

O capitão Chandler, americano (dizem que era da CIA) foi morto em pleno Rio de Janeiro. Daniel Mitrione, que atuou muito no Brasil, foi morto no Uruguai pelos Tupamaros.

Nos anos 80 o Mengão tinha Zico, Adílio, Andrade, Tita, ganhava na bola e na porrada, mas eram anos que traziam todo esse fardo pesadíssimo para a sociedade.

Veio a Lei da Anistia. Brizola voltou, com todo mundo...

E foi nesse umbral chumbo escuro que Tancredo Neves se apresentou como aquele alguém que os militares admitiriam para uma transição ao governo civil.

Tancredo Neves...

Olha... Tinha gente que jurava que Tancredo levou um tiro... Mas nada foi sequer esboçado nem em sede meramente indiciária. O fato é  que ele foi internado e nem a eleição (indireta naqueles tempos) conseguiu reerguê-lo. O Brasil acompanhou minuto a minuto os boletins médicos. O porta-voz Antonio Britto tornou-se íntimo do país todo. Máxime quando anunciou a morte daquele que seria o primeiro presidente civil depois da ditadura militar.

O João, que fez a anistia mas não perdeu os cacoetes da farda, logo anunciou que não passaria a faixa para José Sarney, o vice de Tancredo.

Alguns discutiram brevemente se alguém poderia ser considerado vice-presidente antes da posse do próprio presidente.

Graças a Deus, Sarney terminou sendo empossado pelo Congresso. Não que ele fosse alguém querido do povo... Mas, de todo modo, era o fim da ditadura. E o João nem apareceu.

O governo Sarney foi, no mínimo, conturbado. Sem plena transparência, ninguém tinha muito a dizer sobre a antiquíssima prática republicana ouro-esmeraldina: a corrupção.

Houve choques heterodoxos na economia, Plano Cruzado, Dílson Funaro... Parecia que a situação econômica herdada dos militares era mesmo caótica.

Não demorou e apareceu um sujeito de cenho elevado, alto, bonito (a mulherada que dizia...) que resolveu ingressar como candidato nas eleições seguintes com a bandeira que os brasileiros até hoje mais desejam: combate à corrupção.

Lá veio Collor.


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