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Lula - Sortudo ou Moderado?

 Depois de perder as eleições para Collor e duas vezes para FHC, Lula se elegeu. O PT tinha sido ácido nas críticas à implantação do Plano Real. Mas, seria justo recriminar? O país vinha bailando a Dança da Morte desde o Cruzado I, passando um caos econômico com inúmeros outros planos heterodoxos, medidas extremas, desindexação em meio a processos de intensa inflação... E nada parecia capaz de combater a inflação. A imprensa costumava representar a inflação como um dragão, sempre vitorioso sobre quaisquer baluartes com suas análises macroeconômicas que pareciam mecânica quântica. Nos anos 80 havia um excelente (eu achava, ué!) programa e TV em que Henry Maksoud falava sobre a conjuntura econômica. E ele conseguia levar gente do primeiro escalão da equipe econômica do governo. Era divertidíssimo vê-lo detonando o entrevistado logo depois de perguntar "o que é inflação?". A resposta mais comum era "é um processo generalizado de aumento de preços". Henry olhava para a ...

FHC - O Sedutor

 Fernando Henrique Cardoso, o grande sociólogo que se travestiu de comandante da economia do país para, do alto de sua credibilidade pública e livre trânsito nos mais variados setores políticos, instituir o Plano Real, foi eleito presidente vencendo Lula (que tinha sido derrotado por Collor). FHC é, de fato, um grande intelectual. E não é arrogante. Depois de inúmeros planos econômicos desde o Cruzado, passando por Plano Bresser, Plano Collor etc, o país estava farto de promessas. O Plano Real colocou rédeas na economia e deu ao país algo, até então, inédito: estabilidade monetária. Aos poucos voltaram balcões de crediário nas lojas, ofertas em 3, 6, 9 ou até 12 pagamentos. Isso era inimaginável meses antes. O brasileiro não tinha que formar filas enormes nos quarteirões para abastecer o carro às vésperas de cada aumento no preço da gasolina. FHC, ao lado de Mário Covas, eram os baluartes brasileiros da Social Democracia. Eles encarnavam o PSDB, o partido até hoje chamado de "part...

Collor - O 1o Paladino Anticorrupção

 Fernando Affonso Collor de Mello... Até hoje está por aí. Depois dos 8 anos de inelegibilidade tornou-se senador. Ao fim do governo Sarney, com a catastrófica política econômica do Plano Cruzado sob tabelamento de preços e moratória unilateral da dívida externa, nem os confiscos, quer dizer, empréstimos compulsórios, tiraram o país da hiperinflação. Foi estipulado um "gatilho" de reajuste cada vez que a inflação atingisse 20% no mês. Logo foi extinto sob pena de virar uma metralhadora. No dia de pagamento os supermercados ficavam lotados. É que os preços literalmente subiam diariamente. Os produtos ficavam com etiquetinhas de preço sobrepostas em pilhas. Os etiquetadores eram conhecidos como "revolvinhos". O povo desenvolveu verdadeiro ódio dos revolvinhos e da ação constante de empregados do supermercado renovando preços diante de todos. Nesse contexto apareceu Collor. O governador de Alagoas soltou o canto das sereias contra o que denominou "marajás". S...

Brasil - Transição - Nova República

 Brasil - Transição - Nova República É tarefa para historiadores alinhavar as causas de haver tanta corrupção no Brasil desde muito cedo. O esbulho das terras indígenas, por si só, já foi um péssimo início. Mas eu não sou historiador. Então, apenas continuarei com minhas elucubrações livres e soltas. Nos anos 80 (1980 a 1989, a chamada década perdida), de 1980 até 1985 convivíamos com o último quartel da ditadura militar (não resisti a esse pútrido trocadilho...). Em 1980 as Olimpíadas de Moscou trocaram a presença americana com o fofíssimo Micha. O Brasil permaneceu sem o ouro olímpico no futebol enquanto regurgitava, ainda, o título mundial que a ditadura militar argentina praticamente adquiriu junto aos peruanos. É... Foram os 6 X 0 mais insossos do caldo albiceleste em 1978. Enfim, a Pindorama sentia já os arrebatamentos que o longo processo infeccioso da peste verde oliva causara. O João, aquele que nos ameaçava com o carro a álcool ("Você ainda vai ter um") e dava pesso...

Brasil - Um Esbulho

 Ailton Krenak costuma dizer que o Brasil é uma invenção. Na verdade, não tinha existência. Foi inventado porque o colonizador aqui aportou e disse a si mesmo, na defesa dos interesses múltiplos seus e  de sua Coroa, tomo posse desta terra em nome do Rei . Os habitantes destas vastas terras, conquanto dispersos em inúmeras tribos não raro inimigas, não tinham conjuntamente nenhuma ideia de que os europeus pretendiam tomar para si mesmos o que a ninguém pertencia exclusivamente. Então, o Brasil é uma invenção oriunda da ganância do homem branco, tido como civilizado , por novos territórios e suas riquezas. Claro que isso é apenas uma síntese sem preocupações científicas. No entanto, não me furto a considerá-la bem razoável. O europeu aqui chegou depois de enfrentar literalmente todo um oceano de tormentas e dificuldades. Os barcos eram bons, mas a circum-navegação exigia um esforço enorme em tempos sem grandes conhecimentos sobre nutrição, higiene e saúde em geral. Como resulta...