FHC - O Sedutor
Fernando Henrique Cardoso, o grande sociólogo que se travestiu de comandante da economia do país para, do alto de sua credibilidade pública e livre trânsito nos mais variados setores políticos, instituir o Plano Real, foi eleito presidente vencendo Lula (que tinha sido derrotado por Collor).
FHC é, de fato, um grande intelectual. E não é arrogante. Depois de inúmeros planos econômicos desde o Cruzado, passando por Plano Bresser, Plano Collor etc, o país estava farto de promessas. O Plano Real colocou rédeas na economia e deu ao país algo, até então, inédito: estabilidade monetária.
Aos poucos voltaram balcões de crediário nas lojas, ofertas em 3, 6, 9 ou até 12 pagamentos. Isso era inimaginável meses antes.
O brasileiro não tinha que formar filas enormes nos quarteirões para abastecer o carro às vésperas de cada aumento no preço da gasolina.
FHC, ao lado de Mário Covas, eram os baluartes brasileiros da Social Democracia. Eles encarnavam o PSDB, o partido até hoje chamado de "partido dos Tucanos".
Ao contrário de Collor, não ergueu a bandeira da anticorrupção como palavra de ordem.
E o Brasil passou a viver melhor. Tanto que FHC não apenas conseguiu a reeleição como o fez no primeiro turno, novamente derrotando Lula nas urnas.
Todavia, houve uma série de privatizões de grandes empresas públicas, notadamente a Cia Vale do Rio Doce e o Sistema Telebrás. Analistas consideram que houve verdadeiras negociatas que venderam patrimônio público subavaliado com ganhos escusos de elevada monta.
O fato é que as privatizações mal explicadas e sem plena transparência mineram as pretensões do PSDB em continuar no poder.
Os dois maiores nomes para a sucessão de FHC eram Aécio Neves e José Serra. No entanto, a mera disputa dentro do partido cuidou de amoldar uma grande inimizade entre eles.
José Serra não tinha carisma, mantendo-se como um típico melindroso cobrando apoio sem parecer ter noção de seu pouco apelo junto ao eleitorado, principalmente com os escândalos acerca das privatizações.
De todo modo, tanto José Serra como Aécio ficaram vinculados à privataria tucana, sendo, segundo muito se alegou, partícipes dos ganhos decorrentes das vendas subvalorizadas com montantes desviados para contas no exterior.
O fim da era FHC terminou ocorrendo sob o desgaste que os escândalos de corrupção causam.
Finalmente o insistente petista tinha sua chance.
Veio Lula.
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