Collor - O 1o Paladino Anticorrupção

 Fernando Affonso Collor de Mello... Até hoje está por aí. Depois dos 8 anos de inelegibilidade tornou-se senador.


Ao fim do governo Sarney, com a catastrófica política econômica do Plano Cruzado sob tabelamento de preços e moratória unilateral da dívida externa, nem os confiscos, quer dizer, empréstimos compulsórios, tiraram o país da hiperinflação.


Foi estipulado um "gatilho" de reajuste cada vez que a inflação atingisse 20% no mês. Logo foi extinto sob pena de virar uma metralhadora.


No dia de pagamento os supermercados ficavam lotados. É que os preços literalmente subiam diariamente. Os produtos ficavam com etiquetinhas de preço sobrepostas em pilhas. Os etiquetadores eram conhecidos como "revolvinhos". O povo desenvolveu verdadeiro ódio dos revolvinhos e da ação constante de empregados do supermercado renovando preços diante de todos.


Nesse contexto apareceu Collor.


O governador de Alagoas soltou o canto das sereias contra o que denominou "marajás". Se apresentou ao Brasil como o "caçador de marajás". Era assim que estertorava sua pretensão de combater a corrupção que causava o caos tupiniquim. Afirmava que Alagoas era um pedaço de terra limpa no Brasil.


Jovem, tinha muito carisma e caiu nas graças da população. Falante, se punha como um heroico combatente da moral pública. Enfrentou um governo com péssimo desempenho econômico e um (então) noviço sindicalista de um partido que era pequeno e sem expressão. Não teve dificuldade de vencer debates com Lula e os demais fundadores do PT.


Collor ganhou as eleições.


E inaugurou na Nova República a bandeira do combate à corrupção como prioridade absoluta e panaceia para todos os males estruturais do país.


Mas escândalos de lavagem de dinheiro em benefício de Collor denunciados, inclusive, por seu irmão, Pedro Collor, receberam o tempero da atuação do empresário Paulo César Farias, o PC Farias. Basicamente dinheiro público de campanha foi desviado e o caixa dois enviado, com auxílio de PC Farias, para contas em outros países.


Ver tudo isso jogado ao ventilador pelo irmão do presidente causou grande revolta e a manifestação dos "cara pintadas". Eram jovens que iam às ruas e praças com o rosto pintado de verde e amarelo, pedindo o afastamento de Collor.


Não bastasse, a política econômica de Collor abrangeu um autêntico confisco dos ativos das cadernetas de poupança de todos, pessoas físicas e jurídicas. Sim, ele fez o que nem Fidel Castro ousou: pegou o dinheiro da poupança de todos. Esse dinheiro ficara previsto para ser devolvido em 18 meses. 


Ora, com o povo contra e o empresariado em geral atônito com a audácia do "caçador de marajás", Collor tornou-se alvo do primeiro processo de impeachment da nossa história.


Foi cassado.


O vice Itamar Franco assumiu. Era um político que, a rigor, jamais teria chances de ser eleito presidente.


Além de ser visto ao lado de uma beldade num palanque de carnaval, Itamar teve o mérito de colocar Fernando Henrique Cardoso no comando da economia do Brasil.


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